Moradias Urbi

Ofir, Portugal

Moradias Urbi

Conceito

A arquitetura surge como uma composição equilibrada de volumes puros, onde o branco imaculado das fachadas superiores parece flutuar sobre uma base sólida em pedra natural. Esta dualidade de materiais ancora a construção à terra enquanto eleva o olhar para o céu, criando um ritmo visual entre a peso da base e a leveza dos pisos superiores. As amplas superfícies envidraçadas e as varandas com guarda-corpos de vidro eliminam barreiras visuais, permitindo que a luz natural inunde os interiores e se reflita na paisagem circundante.

Autor Hugo Araújo
Programa Habitação unifamiliar de tipologia T3
Área de Intervenção 4,630m²
Localização Ofir, Portugal
Ano 2022 - Projeto em estudo

O conjunto implanta-se como uma sequência ritmada de volumes escavados, onde a massa branca se espessa e se retira para construir sombra, abrigo e profundidade. A repetição não é literal: é calibrada por variações de vazio e recuo que introduzem tensão entre peso e suspensão. Os corpos superiores parecem pousar com precisão sobre bases mais densas, enquanto os vãos, profundamente recortados, operam como dispositivos de luz e medida da espessura.

A relação com o terreno faz-se por camadas. Muros, socalcos e plataformas prolongam a arquitetura no solo, diluindo o limite entre edifício e paisagem. O espaço exterior não é residual; é estruturante. Pátios, percursos e planos de água constroem uma continuidade silenciosa entre interior e exterior, onde a vida se organiza por aproximação e afastamento, por compressão e abertura.

No interior, a luz é controlada e tangencial. Entra rasante, marca os planos, revela a matéria. Os vazios verticais funcionam como cortes que trazem o céu para dentro, estabilizando a escala e orientando o percurso. A arquitetura afirma-se assim como equilíbrio: entre repetição e variação, entre massa e vazio, entre o que pesa e o que se suspende.

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